quinta-feira, novembro 24, 2005

O Papa Bento, ou uma pequena razão de não ser católico


Admissões:
- Pervertidos;
- Violadores;
- Tarados;
- Pedófilos;

Não Admitidos:
- Casados;
- Homossexuais;
- Mulheres.

Agora imaginem a galhofa de quem formula isto. Igreja no seu melhor!!!!

sábado, setembro 10, 2005

Já vai tarde, mas aqui vai


Fernando Távora 1923 - 2005

Nasceu no Porto a 25 de Agosto de 1923. Licenciou-se em Arquitectura em 1952, na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, onde viria a ser professor. Foi presidente da comissão para a criação da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto e professor catedrático desta faculdade. Foi, igualmente, professor do departamento de arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e doutor honoris causa por esta universidade.
Integrou o famoso Inquérito à Arquitectura Popular Portuguesa (1955), cujo trabalho de campo permitiu demonstrar que a arquitectura portuguesa tinha uma variedade enorme, não havendo uma «casa portuguesa». Este tema já o acompanhava nas suas reflexões, pois tinha publicado o texto «O Problema da Casa Portuguesa» (1947), problema a que voltaria mais tarde, na publicação «Da Organização do Espaço» (1962 e 1982).
Participou em numerosos congressos, entre os quais os últimos Congressos Internacionais de Arquitectura Moderna, os célebres CIAM. Num deles, apresentou a Casa de Ofir, um momento de especial relevância na história da arquitectura portuguesa: nesse tempo, a arquitectura nacional acertava o passo com o que se passava no mundo e as vanguardas passaram a estar na mira do traço dos arquitectos portugueses.
Sobre esse momento, Fernando Távora disse que se tratou não de uma revolução mas de uma «evolução». Explicando: «Eu tenho uma característica que é fundamentar muito os edifícios relativamente às circunstâncias, ao momento e ao lugar». A Casa de Ofir revelaria essa característica. «Eu achei interessante levá-la ao CIAM porque estava a gozar-se já de uma certa liberdade. Depois, começou a descer, os ventos começaram a cansar-se».
Diversas exposições tiveram como tema o seu trabalho, no Smithsonian Institution de Washington, na Escola Superior de Belas Artes do Porto, na Fundação Calouste Gulbenkian, no Museu Soares dos Reis do Porto, na exposição «Europália 1991», na Trienal de Milão ou na Bienal de Veneza.
Ganhou o primeiro prémio de arquitectura da Fundação Calouste Gulbenkian, o Prémio «Europa Nostra» (pela Casa da Rua Nova, em Guimarães), o Prémio Turismo e Património de 1985 e o Prémio Nacional de Arquitectura de 1987 (pela Pousada de Santa Marinha, também em Guimarães).
Estava já previsto que Fernando Távora fosse a figura central das comemorações do Dia Mundial da Arquitectura, que se celebra no início de Outubro, por parte da Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos.
Fernando Távora faleceu no dia 3 de Setembro de 2005, aos 82 anos, e o seu corpo foi cremado no final da manhã do dia 5 de Setembro, no cemitério do Prado do Repouso, no Porto.

quinta-feira, setembro 01, 2005

Soares, Cavaco ou o voto em branco

Diz o El País que a política em Portugal está morta, prova disso o resurgimento de velhos dinossauros, como Cavaco e Soares, a fugida de Barroso ou ainda antes a desistênciade Guterres. Se já todos perceberam isto porque é que em Portugal ainda ninguém chegou lá?

quarta-feira, agosto 17, 2005

Ah....

Afinal sempre vale a pena ter parlamento


"Agora que ninguém está a ver..."

sexta-feira, agosto 05, 2005

Choque... Tecnológico

Choque:
- Aeroporto da Ota.
- TGV.

Tecnológico (em segredo de estado):
- Transportadores de matérias ligando o Aeroporto da Ota a Lisboa.
- UmTGV de mercadorias.
- Estado ganha o EuroMilhões durante os próximos 10 anos.

Diga lá agora que não é viável!!!!!

Mais, por Portugal:

- triste, triste é que o Cavaco vai ser presidente. O lado positivo é que não é o Santana!
- ainda há floresta para arder!!! Pró ano logo se vê.
- a PT aposta forte em investimentos no Brasil, assim como o BES e António Mexia (ex-ministro obras públicas).
- em Lisboa a luta adensa-se entre Carmona Rodrigues, Eterno Incompetente, Manuel Maria Carrilho, O Jardim do Parque Mayer e José Sá Fernandes, social democrata à antiga tipo sueco com plano de habitações para o cais do sodré (sinceramente e pelo desprezo que sinto pelo BE, digo que não poderiam ter escolhido candidato mais coerente com o vosso estilo para apoiar).

Começar de novo!!!!!!!!!!!

quinta-feira, junho 23, 2005

Este País

Há fogo, afinal há fogo. E melhor que isso, ainda há floresta para arder. E ela arde e arderá. Aquilo que tem sido feito, se é que alguma coisa foi feita, não é o suficiente para mobilizar nem privados nem Estado para que algo seja feito no sentido de proteger o que ainda vai restando da nossa floresta. Será que todos pensam: "Deixa pa lá. Depois vêm os fundos da U.E". Só para informar: ACABOU A MAMA!!!Pelos vistos o défice não é de 2,8 nem de 2,9 , nem mesmo de 4 ou 5, mas sim 6,8, comprovado pelo Banco de Portugal. Ferreira Leite diz que não. É um cálculo erróneo que presupos muitos "se's" na tentativa de desmascar, quero dizer, desprestigiar o anterior governo, em particular (subentendo) a própria ex-ministra. E confesso, gosto muito deste título na Ferreira Leite, ex-Ministra das Finanças, ex-Ministra da Educação, assenta-lhe a ela bem e a nós oh, oh, doce paraíso. Como reduzi-lo? Apresentadas estão as soluções, algumas pecarão por pouco, outras por muito, estou certo. Mas acredito em algumas como o caso do fim do sigilo fiscal. E mais, vou dar em chibo, que isto de andar a pagar os impostos todos e não ter dinheiro para pagar o passe (a porcaria da gasolino só sobe, pelos preços do passem, nunca desce. Isto de serem oscilatórios, tem que se lhe diga) enquanto o vizinho tem casa de vinte quartos, dois jaguar, tudo isto por alguém ofertado ao filho. Graças a Deus que existem estas boas almas porque senão imagino a tristeza do Pai que ganha o salário mínimo e nunca poderia ofertar coisas como estas ao filho estimado. Isto de fugir aos impostos tem muita sabedoria, não admira que seja tão dificil apanhá-los, os gajos parecem pobres.Por fim, eram 500, eram 70, era 2,9, era 6,8. É de mim ou isto depois do Guterres nada foi igual com as contas?

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Voltar

Para variar um pouco já não escrevia à séculos.
Mas depois das eleições devo dizer alguma coisa:
Santana, meu caro, F O D E S T E - T E!!!!!!!

Agora um pouco mais sério.

Sinto que devem ser realçadas duas coisas desta maioria. Primeiro de tudo o país precisava de uma maioria para que as coisas não se afundassem economicamente ainda mais. Permitiu manter, até certo ponto, a crença dos poucos (e nem por isso bons) investidores em Portugal. Em segundo lugar obrigou (pelo menos assim espero) Santana Lopes a descer à terra e compreender que, a memos que algo de muito mau aconteça, jamais chegará a presidente da república, desejo que acalenta desde pequeno.
No entanto será erróneo acreditar que esta maioria é resultado de confiança (O Eng. Socrates que me perdoe, mas não é propriamente um lider), mas resultado de um desejo de real e verdadeira mudança. E temos boas perspectivas. O povo já começa a abituar-se a ter o cinto apertado, precisa de um pouco de folga, mas aceita mantê-lo apertado. É um bocado paternalista, mas se já fizemos com o outro faremos com este também. Mas são urgentes reformas sérias, profundas e amplas o suficiente para que as coisas melhorem. Sem medos, com firmeza. Poderão dizer que o PSD/CDS-PP fizeram o mesmo. Esperemos que estes não usem a lógica do absurdo em que se vende o que tem, não se investe e espera-se a ver o que dá. Merda, obviamente. Mas existem economistas que apoiam estas visões e isso é assustador. Creio que não acontecerá. O cavalo de batalha foi o progresso tecnológico e científico. Sectores que acredito serem vitais para que a nossa economia se desenvolva. Há os que acreditam profundamente que o método neo-liberal de economia que tão bem resultou com a China, Coreia do Norte e Estados Unidos, deve ser implementado em Portugal. Se nos singirmos a números esta solução é perfeitamente compreensível. Obviamente que teremos de fechar os olhos todo o aspecto social inerente das políticas neo-liberais. Chegamos até aqui, pra quê voltar atrás? Deveremos ter não os Estados Unidos, ou a China como modelos económicos, mas antes países como a Finlândia. Obviamente não dominaremos o mundo economicamente, mas isso também não aconteceria como o método liberal. Em termos sociais acredito que faça toda a diferença.

terça-feira, dezembro 28, 2004

A K.

Primeiro de tudo, o comentário foi o primeiro realmente crítico. Por isso estou agradecido. Procuro sobretudo o debate de ideias com este blog. É certamente a primeira vez que tal acontece. Terá sido com o texto que em meu entender menor razões apresentava para tal. Não é pretencioso e muito menos de "apologia depressiva" daquilo que representa o Natal. Passo o Natal com imensa alegria e sinto-me um terrorista da alegria quando vou às compras. Chego mesmo a sentir, por breves instantes, que as decorações não são pirosas :) E no Natal é, de facto, "mais fácil sorrir". Este texto, básico, sem qualquer pretensão, é um mero desabafo, não porque quero mudar o mundo, mas porque o mundo não quer ser mudado, aliás acredito que falar em mudar o mundo é, no mínimo, ingénuo, até mesmo infantil, e deverá ser apenas discutida a capacidade que possuímos de mudar a nós próprios mantendo, é claro, a esperança que o mundo mude connosco. EU fico abstraído do mundo nesta época, mas isso não significa que ele não exista lá fora. E pior que não saber é não querer saber. E doce K, o mundo ainda gira no Natal ,tanto no bom, como no mau. Mas jamais contenhas a tua alegria. Assim como, pelo menos assim me parece, jamais deverás esquecer que há muito a mudar, mesmo no Natal. Um dos grandes males deste mundo é precisamente o não "pensar os problemas que este mundo nos proporciona". E agora que penso nisso deveriamos todos, inclusivé eu, porque também esqueço, também prefiro esquecer, aprender que os valores humanos não devem ser esquecidos em determinadas épocas e reacendidos noutras. Talvez os teus valores sejam diferentes dos meus. Talvez prefiras passar esta época festiva sem reflectir sobre aquilo que vai mal. A mim parece ser a época ideal para isso.
Talvez o desastre provocado pelo terramoto recente venha demonstrar a ti que o mundo não para nunca, por muito que desejemos, por muito que fechemos os olhos. As coisas más continuam a acontecer.
O texto não é uma crítica à alegria, mas um lembrar, um mero lembrar. Porque acredito que é bom não esquecer. Acredito com todas as minhas forças. O facto de existirem pessoas que se lembram e lutam para contrariar as coisas, mesmo quando é Natal, faz a minha alegria pois me dá esperança. O facto de existirem pessoas que olham para o lado, não só no Natal, faz com que por momentos não goste do Homem.
Talvez a culpa seja minha pela brevidade e simplicidade do texto que possam a levar a interpretações erróneas do mesmo. Espero que compreendas um pouco melhor agora o objectivo. É verdade que estava a "calcar" um pouco o Natal, mas eu não escrevo para a Maria. Escrevo se sinto a necessidade de desabafar. E senti.
Por fim digo-te que não necessitas de ficar triste, basta apenas que te lembres e lutes, por que a meu ver é bem melhor que esquecer porque é Natal, ou porque é Ano Novo, ou porque é Páscoa, ou porque não apetece.
Talvez os teus valores sejam diferentes dos meus. Mas vou pensar um pouco mais nisso.

sexta-feira, dezembro 24, 2004

Vejo as ruas com filtro vermelho e dourado. A luz está em cada canto. Enfeites pirosos, frases balofas, consumismo exacerbado, hipocrisia e etc. Todas essas e muitas, muitas mais, coisas que nos fazem odiar o Natal.
E no entanto torna-se mais fácil sorrir. Um pequeno embrulho só para nós e o mundo parece um pouco melhor. Não o é. Há crianças a morrer à fome, pessoas a morrerem como resultado de guerras, de ódios, de ganância, escravatura, exploração, violência de todas as formas e feitios. Pobres esganados de fome e ricos com enfartes causados por gordura em excesso.
Mas enfim é Natal e para alguns hoje é um bom dia. Para eles: BOM NATAL. Para os outros: BOM ANO NOVO.

E só para lembrar quem acredita: Parabéns ao menino.

segunda-feira, dezembro 13, 2004

No fundo

No fundo, no fundo, a culpa é do PR. Esse malvado, pervertido, sacana irresponsável. Como teve ele a lata de dissolver a assembleia? Ele devia era ter logo demitido o governo por incompetência. Mas não! Deu-lhe para ser um gajo porreiro e não envergonhar ainda mais o governo. E claro o Santa não compreende porquê. E pergunta. E volta a perguntar. E pergunta ainda uma vez mais. E continua sem compreender. E o PR diz: "Voçês sabem do que eu estou a falar". Mas eles não sabem. Convenhamos. O PR de facto até foi um gajo porreiro. O discurso não foi barroco. Ele tentou explicar. Mas o Santa não compreende. "Que fiz eu?" - pergunta-se. Mas eu compreendo a dificuldade de explicar do PR. Eu próprio não saberia por onde começar. Mas já lá diz o ditado: "Governo que nasce podre, cai fodido!"

Fiquei a saber que a Odete, a cara Odete, anda metida na revista à portuguesa. De política à revista. É sempre bom subir de nível de vez em quando.

quinta-feira, dezembro 02, 2004

segunda-feira, novembro 08, 2004

Duas palavras bonitas

Decidi explorar o potencial ridículo de frases tão em moda hoje em dia:
Partirei da minha preferida e daí formularei umas quantas mais tendo em conta o carácter inerente da primeira.
As palavras são:
"Descriminação positiva"
Daqui partimos para uma parafernália de frases construídas a partir da lógica da primeira, i.e., da lógica do absurdo:
Racismo tolerante

Egoísmo altruísta

Tortura benovolente

Arrogância humilde

Brutalidade suave

Golo falhado

Quente gelado

Político preocupado com o povo

e muitas, muitas mais.




quinta-feira, novembro 04, 2004

Digámos não!

Ele ganhou e não vale a pena estar a discutir mais isso. Se bem que era bom que a América se fodesse sozinha.
Mas leio as cartas e rápidamente relembro que há bem mais aqui com que me preocupar. Daniel Sampaio fala-nos bem de dentro e de problemas que não podemos ignorar. E jovem como sou não encontro paternalismo de qualquer espécie mas unicamente um apelo. Um apelo que faço a mim e áqueles que me rodeiam. Suas palavras vão de encontro a uma realidade inegável. A ameaça de retrocesso democrático, de negação de um contrato social é cada vez maior e a minha geração está silenciosa. O humor cresceu a olhos vistos, como acontece sempre em tempo de crise, mas é necessário acordar pois a crise é aspecto pouco quando nos querem roubar aquilo que foi alcançado, ou melhor, conquistado, em consequência do 25 de Abril. A prepotência, a arrogância, a falsidade abunda neste governo que cada vez mais mostra todo o seu carácter de direita. A conservação de interesses económicos é factor único. O lucro o objectivo. Não a igualdade social, não a elevação ética, moral e cultural do cidadão. Quem não o vê, limita-se a não o querer ver. E é triste para mim analisar a minha geração. Uns simplesmente não possuem qualquer tipo de discernimento politico-social (apesar de instruidos) e ouvimos dizer: "a política não me interessa". Perguntamos: "Estás morto?". Outros colaboram com o governo. E isto é triste, especialmente quando vemos isso na vida estudantil, em que muitos creem que uma associação de estudantes é o primeiro passo para a vida política. Os tachos formam-se cedo. E não vemos o movimento estudantil como uma força política independente e progressista como deveria ser, mas antes um trampolim para o mundo político. E isto entristece. Mas há ainda os revoltados, mas não existe coerência, nem uma real união. Existimos (incluo-me nestes últimos. Mea Culpa) dispersos e não poderemos jamais ser voz de revolta. Ainda se riem de nós. E eu não gosto que se riam de mim.
E tu, gostas que se riam de ti?

Digámos não!

terça-feira, outubro 26, 2004

sexta-feira, outubro 01, 2004

Agora e Sempre

Pois é, o Sócrates ganhou.
Gostava de poder dizer um pouco mais, mas a verdade é que não há mais nada a dizer. Tal facto em nada vem mudar o meu dia-a-dia. Não há tristeza, nem alegria. Apenas apatia. Nada mudou verdadeiramente. Haverá um governo a explorar o coitadinho e uma oposição. Projectos verdadeiros para o país, para o comprimento de um contracto social verdadeiramente justo não passaram a existir. Tudo está igual. Para não dizer pior. Senão vejamos: as minhas propinas voltaram a aumentar (lá vem aquele artigozito da constituição outra vez). As empresas (e principalmente as portuguesas) continuam a acreditar que os lucros são maiores quando pagam pouco e reduzem o pessoal. Honestamente. Se isto não é a lógica do absurdo, então o que é? Quem compra os serviços são as pessoas. Se estas não tiverem dinheiro para gastar então as empresas não terão receitas. Será assim tão difícil compreender isto. A solução é sempre a mesma: manter os salários baixos, reduzir pessoal, aumentar os preços. Se os preços aumentam e mais pessoas estão desempregadas, menos pessoas poderão consumir os produtos. É preciso ser economista para conseguir explicar como é que estas soçuções são as correctas. Meus amigos isto é cíclico. E é óbvio que se as pessoas gastam menos, então as receitas fiscais são menores, po que é ainda mais preocupante se tivermos em conta que as receitas vêm, essencialmente, das pessoas e não das empresas, que na sua maioria fogem aos impostos. E se há mais pessoas desempregadas, maiores são os gastos no apoio social. A solução adoptada parece surgir (não consigo ver outra razão) por simples incapacidade do meio empresarial português de funcionar como um todo. Cada um joga para seu lado. Isolados compreendemos que necessitem de optar por soluções destas. E o resultado disto é o lento desaparecimento da classe média. O desaparecimento das empresas que não possuem recursos. O fosso entre ricos e pobres aumenta gradualmente. O resultado: revolta social. Os pobres serão sempre em maior número. Este é o futuro se as coisas continuarem desta forma. A solução passa sempre por sobrecarregar os que estão na classe média. Esta não é a solução. O problema reside no fosso social. A solução é a sua redução. A única maneira de termos um mercado financeiro rico é havendo dinheiro naqueles que usufruem dele. Em vez da criação de portagens, de novos impostos, de taxas e afins para cobrir a despesa pública, porque não taxar o mercado da especulação financeira, porque não reduzir as forças armadas a um nível necessário à preservação da sociedade e serviços verdadeiramente necessário ( Porque não podemos comprar submarinos quando nem dinheiro para a gasolina das lanchas que patrulham o nosso mar temos). Agir de acordo com a nossa dimensão. Porquê gastar milhões numa mudança de índole populista como a mudança dos ministérios, ou construir dez novos estádios quando o nosso património imobiliário se degrada a olhos vistos? Porque eu estou literálmente a cagar se Portugal possui dez estádios modernos quando em minha casa o tecto me cai na cabeça. Mas o povo português é extremamente comodista. Mas não exagerem! Tiraram-lhe a educação. Começam a tirar a saúde, os empregos, a esperança de um futuro. Políticos tentam cobrir a situação com orçamentos enganadores, previsões totalmente erradas, mas a realidade não está no papel. É sentida por cada um de nós a cada dia que passa. E isso ninguém pode esconder. Se há dois anos atrás estavamos de tanga, de tanga continuamos. "as joias penhoradas" e sem soluções. O arrojo da venda da propriedade do estado para equilíbrio de orçamento revelou ser infrutífero e digo eu contrapruducente. O ministro das finanças concorda. Mas e a solução? Por onde anda? Este governo é capaz de a ter (não acredito nisso, mas imaginemos). No entanto que crédito poderemos dar a um governo que não foi escolhido por nenhum de nós, que logo a começar revelou aspectos no mínimo pouco éticos? A secretária que de manhã era da defesa e à tarde da cultura (tacho), a reforma da caixa para alguém k trabalha um ano e meio e não cumpriu correctamente com a sua função (injustiça social), a relações públicas na pj (mais uma vez, tacho), o programa das colocações encomendados a uma empresa de um membro do psd (favoritismo), e muitas, muitas coisas mais que desconhecemos. Que crédito poderemos conceder a políticos que nos revelam que funcionam na base de interesses pessoais e esperam a apatia do povo? E o discurso de a culpa ser do governo anterior? Que raio é isso? O governo era PSD/PP. Nesse aspecto nada mudou. Grande parte da equipa manteve-se. Que crédito deverei eu conceder? Nenhum. Absolutamente nenhum. E a oposição não está melhor. Eu pergunto-me, será que não é possível termos um governo, uma oposição, um parlamento a trabalhar verdadeiramente em conjunto para o futuro de Portugal? Não compreenderão que isto não é uma corrida? Não há vencedores. E insisto uma vez mais. A educação é a única coisa que pode alterar o nosso futuro. A base de toda e qualquer civilização é a educação da mesma. Ao longo dos anos, principalmente estes últimos os que deveriam ser beneficiados por esta têm sido extremamente prejudicados. E é óbvio que muitos dos problemas advém deste facto. Continuamos um povo ignorante e incapaz. Culpa dos políticos que governaram e/ou fizeram oposição. O cavalo de batalha que foi o 25 de Abril começa a perder a sua força na esperança dos portugueses. Em particular das gerações mais jovens. Somos, por vezes, acusados de esquecer a importância do 25 de Abril. Pois eu vos digo que o 25 de Abril vive mais dentro de mim do que dentro de 90% dos políticos. O desejo da justiça, da liberdade e igualdade é a mesma em mim que era em meus pais no ano de 74. Vós políticos desiludiram. Falharam. Redondamente. E devem ter vergonha. Pedir desculpa. Compreender e admitir que falharam e tentar de novo. Começar de novo. Os vossos erros ao longo dos anos prejudicaram o povo português. Todos, sem excepção, são culpados. Nós também porque acreditamos em vós. A gravidade da situação não reside nos erros, mas na sua negação. Se não admitirmos que erramos não somos capazes de mudar. A culpa não é do anterior, não é deste ou daquele governo. É de todos vós. Dos que governaram e dos que fizeram oposição. Dos que não souberam planear um futuro para Portugal. De todos vós. Mas garanto que o 25 de Abril não morreu. Morrereis voçês primeiro, ignorantes, como viveram a vossa vida.

segunda-feira, setembro 27, 2004

De Momentos

Continuo a perfeição do pecado
Que é a tentativa de teu retrato.
Por entre os lençois
Vislumbro ainda a essência de
Uma semana
Que passou
Rápido.

Dir-te-ia que a memória é
Ainda
Persistente
E enganadora
Mas não te diria nada.

O carro passa, vroom
Qual quadro reflectido no tempo.
Espero por ti à boca de um copo
Neste bar pequeno.
Acendo este cigarro
Pouso o livro
E penso em ti

sexta-feira, agosto 20, 2004

Aperto

A cidade cresce
O betão que não para
O asfalto que me leva
Em direcção ao nada.

Sinto o cheiro de borracha queimada
E ouço este povo brejeiro.

Como por entre leões e anjos de espada.
Sinto vir em mim a canção do táxi
A canção das milhas que passam por estrada.
Sinto o ardor deste grito de dor
Que em meu povo ouço.

Procuro uma pedra.
De assento em que sou
Por um momento
Que passou

Vejo passar pela janela esta cidade que me agarra.
Ouço o saxofone tocar na noite de chuva.
E o homem que grita acordado.

Os sorrisos que se espalham na minha mente tolhida de cerveja...

O gorgolejar dos sinos da velha torre
Que chama por mim.
As obras que me acordam.
O banco de jardim que está molhado.

Esvoaça de encontro o jornal.
Paro na passadeira e buzina o carro.
Pessoas correm.

Olho bem o sinal de néon.
Reclama em som de ronco.
Lá dentro trabalha um anjo entristecido.
Por entre as roupas.

Entro no café.
Olá.
Vejo outra cara conhecida.
Fumo o cigarro que me foi prometido por mim mesmo.
Um dia será o fim.
Por agora deixo-o vir.
Sorrio. Dou-lhe o meu número.
Prometo atender. Ou até mesmo telefonar.
Podemos ir tomar um copo.

De copo na mão ouço o ruído.
Corpos que se encontram.
E aquela rapariga tão gira.
Peço um mais só para olhar em seus olhos.
Saio e respiro fundo.

As estrelas cairam um pouco.
Vou até á praia onde adormeço consumido pelo frio.
Acordo já o sol vai alto.

Ressacado percorro as ruas.
Sinto ainda o cheiro a mar.
Paro para uma sande.

Vejo os carros passarem lá fora
As pessoas a correr,
O sol a passar despercebido
E sinto a cidade crescer em mim.

sexta-feira, agosto 06, 2004

Quase esquecia

Mais um. Caem como tordos e, meus amigos, é triste, muito triste.



Henri Cartier-Bresson 1908-2004

Gigante da fotografia, simplicista, génio, deixa-nos a obra fotográfica, deixa-nos a Magnum, lições de humanidade e uma dorzinha no espírito.


E ainda mais triste:
« [Our enemies] never stop thinking about new ways to harm our country and our people, and neither do we. »

Se caisse uma bomba por cada "bushismo"...
Péra aí!...

Hoje é dia de...

LITERATURA DE BORDEL
(porque me apetece)

Hoje é dia temático. Olhei a prateleira. Vi aquele livro fininho com vontade de dizer adeus ao pó e pensei: "Já que não escrevo, trancrevo."
Um livrinho pequeno, mas de grande tema. É seu título "Putas à moda do Porto" e seu autor Raul Simões Pinto. A não perder. Só um pouco a abrir o apetite. Ou não...

«Aos fins de semana, os clientes chegavam a formar uma fila de espera que contornava as escadas até à rua. Qual Caixa de Previdência, Dona Carmen ia chamando um a um "os doentes de tesão" e marcava no seu livro negro, com a ajuda da velha camareira, que a acompanhava nos trabalhos de limpeza e no chegar das toalhas, o número do cavalheiro e a hora da consulta... Uma noite subi aquelas escadas, cheio de tintol, depois de um bruto jantar no Ginjal; e dei comigo, de encontro à Carmen - aflito, ela recolheu-me nos seus braços, deu-me dois beijos na cabeça e disse-me: "anda míudo, hoje és o 37...". Bom, naquela noite, andei de lado para lado, levei com umas mamas no focinho e no seu minúsculo quarto, apercebi-me que o seu cu parecia um forno crematório, e que a sua cona, mais parecia um microondas de terceira geração, tanto era o calor e os vapores de álcool que inundavam aquele cubículo. Passados dias, andava eu todo fodido com um grande esquentamento na "pichota", ferrava-me todo para mijar e suava as estopinhas com as dores. Nesse tempo, andava eu na tropa e levei no cu com quatro injecções de hidromicina, além de lavar o "stick" com purgamanato de sódio, só desta forma radical, me safei daquela maldita infecção.»